“Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos…” (Malaquias 3:10a) Como entender se o dízimo de Malaquias 3:8-11 é ordenança para a igreja cristã hoje em dia? Pois em quase todos os cultos os líderes evangélicos usam deste versículo para persuadir os irmãos a darem 10% de seu dinheiro para a igreja, mas isso é realmente correto? Se não dermos o dizimo roubaremos a Deus (v. 8)? Este texto foi realmente escrito para nós?
Primeiro de tudo: o dízimo bíblico não era dinheiro! Leia Levítico 27:30-33.
No contexto de Malaquias, quem estava roubando a Deus eram os sacerdotes (cf. Mal. 2:1; 3:8,9). Se combinarmos os relatos neste livro com o livro de Neemias (que era contemporâneo do Malaquias), veremos que os sacerdotes esconderam todos os dízimos para si mesmos, não dando para o restante dos levitas (cf. Ne 13:4-12).
Explicação do dízimo de Malaquias 3:10 (que já estava escrito na Lei de Moisés).
Ora, as tribos de Israel eram 12 e uma delas era a tribo de Levi. Todas as outras 11 tribos deveriam dar o dízimo para a tribo de Levi (vide Núm. 18:21-24).
Os levitas pegavam seus dízimos em cada uma das cidades que eles viviam. Quando eles recebiam esse dízimo do povo, deveriam separar 10% e entregar aos sacerdotes para serem guardados em Jerusalém, no depósito do Templo chamado de “Casa do tesouro“. Esse é o dízimo dos dízimos. Veja Neemias 10:37,38 e Números 18:25-28.
Portanto, o dízimo que era levado para Jerusalém era apenas a parte destinada aos sacerdotes (Ne 10:38). O dízimo dos outros levitas não era levado para esse lugar, mas comido dentro das cidades que eles moravam (vide Núm. 18:26-31).
Estes, pois, são o dízimo dos levitas e o dízimo que era dado aos sacerdotes (dízimo dos dízimos). Acerca destes dízimos fala diretamente o famoso texto de Malaquias 3:10 e seus versículos vizinhos.
Porém também tinha o dízimo dos monarcas, isto é, dos reis de Israel (vide 1 Samuel 8:11-17), o dízimo do pobre (Deut. 14:28,29; 26:12), e o dízimo do próprio dizimista, que era comido em festividades anuais (Deut. 14:22-26).
Com isso temos ao menos 5 tipos de dízimos diferentes. Mas todos eles eram alimentos, e não dinheiro, como você mesmo pode ler em cada versículo citado.
Lendo a Bíblia de verdade podemos constatar então que o dízimo não é ordenança para a igreja cristã!
O dízimo requerido nas igrejas, portanto, não se encaixa com nenhuma das formas de dízimo da Bíblia.
O dízimo da Bíblia eram em alimentos e somente os proprietários de terras que tinham plantações e criações de gado ou rebanho é que estavam obrigados a praticar o dízimo do levita.
Além do mais, este mesmo dízimo que vimos anteriormente era o que estava em vigor na época de Jesus, por isso que os fariseus davam dízimos de hortaliças! (Mat. 23:23) Este cenário, porém, mudou depois da destruição do templo de Jerusalém no ano 70, acontecimento que levou ao fim as atividades do sacerdócio levítico.
E ainda, todos que fossem assalariados e que fossem pobres, não estavam obrigados a entregar dízimo aos levitas.
Ora, como vimos em Levítico 27:30-33, era exigido apenas dízimos de alimentos da colheita e animais do gado e do rebanho.
Mesmo já havendo dinheiro naquela época (e até antes), o Soberano não doutrinou o seu povo a dar dízimo em dinheiro. Aliás, os próprios dízimos eram vendidos por dinheiro em certas ocasiões (Deut. 14:23-26).
Nas igrejas, pelo contrário, se prega que todos os assalariados devem dar 10% do seu dinheiro como dízimo. Até mesmo as famílias mais pobres estão obrigadas a fazer isso, pois não se pode desobedecer à (pseudo) doutrina bíblica. Além do mais, os pregadores não podem dizer que o dízimo é voluntário, se está escrito na Bíblia que quem não o dá rouba a Deus (Malaquias 3:8). Então não é nada voluntário, mas obrigatório. Deste modo, quem estaria certo, os líderes que defendem o dízimo hoje em dia ou a Bíblia?
Por isso, estão caindo em grande contradição os que dizem que o dízimo é ordenança para a igreja cristã também.
Naturalmente, isso não quer dizer que não vamos mais ajudar a pagar os custos do local de culto a Deus que frequentamos: o templo. Pois somos uma comunidade e precisamos todos juntos ajudar com as despesas do local. É uma mera questão de consciência e ética, não doutrinária nem teológica.
Da mesma forma, ser contrário à (deturpada) doutrina do dízimo pregada hoje nas igrejas não significa que não vamos mais contribuir para com a obra de Deus (evangelismo, missões, ensino, louvor, etc.). Mas significa apenas que não vamos usar de artifícios, manobras ou adaptações espúrias da doutrina bíblica para persuadir, enganar ou coagir os irmãos dizendo que são obrigados, de uma forma ou de outra, a dar sempre 10% de seu dinheiro para a igreja.
Leia o estudo “Como devemos contribuir para a obra de Deus – 1º Crônicas 29” para saber como deveria ser pregada corretamente a mensagem sobre contribuição.
Se então o dízimo bíblico não é ordenança para as igrejas cristãs, quando e quem foi que inventou este atual?
Para ser mais preciso, e resumidamente, os seguintes eventos introduziram a cobrança de um suposto dízimo bíblico nas igrejas:
- No século 6 (ano 567), no concílio de Tours, foi promulgado pela Igreja de Roma que quem não desce o dízimo como Abraão deu jamais poderia “reinar com o Cristo“;
- No ano 585 em Macon, foi determinado que seria excluído da comunhão da Igreja quem se recusasse a pagar o dízimo (ora, nesta época, desde meados do século 4, a Igreja Católica Romana já havia se tornado a oficial no Ocidente e continente Europeu);
- Na transição do século 7 para o 8, com o imperador Carlos Magno, a prática do dízimo foi expandida. Nesta ocasião, quem se recusasse pagar o dízimo à Igreja seria multado pelo governo.
- Finalmente, no século 12, nos concílios de Latrão, o dízimo foi padronizado e tornou-se doutrina oficial da Igreja Católica Romana.
Foi à partir dessa sucessão de eventos que as igrejas protestantes que surgiram no século 16, e posteriormente as evangélicas, herdaram a prática de cobrar o dízimo dos fiéis.
Porém com uma série de doutrinas e liturgias deturpadas, isto é, falsamente bíblicas. Isso significa que, desde os tempos apostólicos, foram cerca de 500 anos de igreja cristã sem se trabalhar com a doutrina do dízimo. Você não vê, por exemplo, qualquer dos apóstolos no Novo Testamento cobrando o dízimo dos irmãos com o texto de Malaquias 3:10 ou Gênesis 14:20 (compare Atos 2:44,45; 4:34-37; 11:29; 2 Coríntios capítulos 8 e 9 e 1 Coríntios 16:1,2).
Todos os eventos mencionados acima são comprovados historicamente, principalmente no Documento 8 da CNBB, elaborado em uma convenção de bispos de 1969-1975.
Em suma, dar o dízimo só pode ser uma ordenança para a igreja cristã se for esta versão deturpada criada pela Igreja Católica Romana medieval. Pois os apóstolos do Senhor sempre trabalharam com as ofertas voluntárias dos irmãos, e isto sempre funcionou muito bem (vide At 2:44,45; 4:34-37; 11:29; 1ª Cor. 16:1,2; 2ª Cor. 8:1-8; 9:7).
Você também pode ler um histórico completo acerca da doutrina do dízimo no livro “7 Contradições Sobre o Dízimo Pregadas Nas Igrejas Atuais“, de minha autoria.
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